O Soldado Espanhol
Gonçalves Dias (?–1864)
O começo — I
Oh! qui révèlera les troubles, les mystères / Que ressentent dabord deux amants solitaires / Dans l'abandon dun chaste amour? / (Amour et Foi)
O céu era azul, tão meigo e tão brando, / E a terra era a noiva que bem se arreava / Que a mente exultava, mais longe escutando / O mar a quebrar-se na praia arenosa.
O céu era azul, e na cor semelhava / Vestido sem nódoa de pura donzela; / E a terra era a noiva que bem se arreava / De flores, matizes; mas vária, mas bela.
Ela era brilhante, / Qual raio do sol; / E ele arrogante, / De sangue espanhol.
E o espanhol muito amava / A virgem mimosa e bela; / Ela amante, ele zeloso / Dos amores da donzela; / Ele tão nobre e folgando / De chamar-se escravo dela!
E ele disse: — Vês o céu? — / E ela disse: — Vejo, sim; / Mais polido que o polido / Do meu véu azul cetim. — / Torna-lhe ele… (oh! quanto é doce / Passar-se uma noite assim!)
— Por entre os vidros pintados / Digreja antiga, a luzir / Não vês luz? — Vejo. — E não sentes / De a veres, meigo sentir? / — É doce ver entre as sombras / A luz do templo a luzir!
Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.