Livros › Gonçalves Dias › A Mendiga

Capa de A Mendiga

A Mendiga

Gonçalves Dias (?–1864)

PoesiaRomance4 min de leitura4 páginas

O começo

Donnez: - / Et quand vous paraîtrez devant juge austère / Vous direz: J'ai connu la pitié sur la terre, / Je puis la demander aux cieux! / — Turquety

Eu sonhei durante a noite… / Que triste foi meu sonhar! / Era uma noite medonha, / Sem estrelas, sem luar.

E ao través do manto escuro / Das trevas, meus olhos viam / Triste mendiga formosa, / Qu'infortúnios consumiam.

Era uma pobre mendiga, / Porém, cândida donzela; / Pudibunda, afável, doce, / Amorosa, e casta, e bela.

Vestia rotos andrajos, / Que o seu corpo mal cobriam; / Por vergonha os olhos dela / Sobre ela se não volviam.

Pelas costas descobertas / Cortador o frio entrava; / Tinha fome e sede, - e o pranto / Nos seus olhos borbulhava.

E qual vemos dos céus descendo rápido / Um fugaz meteoro, vi descendo / Um anjo do Senhor; - Parou sobre ela, / E mudo a contemplava. - Uma tristeza / Simpática, indizível pouco e pouco / Do anjo nas feições se foi pintando: / Qual tristeza de irmão que a irmã mais nova / Conhece enferrna e chora. - Ela no peito / Menor sentiu a dor, e humilde orava.

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.

Mais de Gonçalves Dias