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Adeus (Gonçalves Dias)

Gonçalves Dias (?–1864)

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

Meus amigos, Adeus! Já no horizonte / O fulgor da manhã se empurpurece: / É puro e branco o céu, - as ondas mansas, / - Favorável a brisa; - irei de novo / Sorver o ar puríssimo das ondas, / E na vasta amplidão dos céus e mares / De vago imaginar embriagar-me! / Meus Amigos, Adeus! - Verei fulgindo / A lua em campo azul, e o sol no ocaso / Tingir de fogo a implacidez das águas; / Verei hórridas trevas lento e lento / Desceram, como um crepe funerário / Em negro esquife, onde repoisa a morte; / Verei a tempestade quando alarga / As negras asas de bulcões, e as vagas / Soberbas encastela, esporeando / O curto bojo de ligeiro barco, / Que geme, e ruge, e empina-se insofrido / Galgando os…

Inda uma vez, Adeus! Curtos instantes / De inefável prazer - horas bem curtas / De ventura e de paz frui convosco: / Oásis que encontrei no meu deserto, / Tépido vale entre fragosas serras / Virente derramado, foi a quadra / Da minha vida, que passei convosco. / Aqui de quanto amei, do que hei sofrido, / De tudo quanto almejo, espero, ou temo / Deslembrado vivi! - Oh! quem me dera / Que entre vós outros me alvejasse a fronte, / E que eu morresse entre vós! Mas força oculta, / lrresistível, me persegue e impele. / Qual folha instável em ventoso estio / Do vento ao sopro a esvoaçar sem custo; / Assim vou eu sem tino, - aqui pegadas / Mal firmes assentando - além pedaços / De mim mesmo…

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