Amor! Delírio - Engano
Gonçalves Dias (?–1864)
O começo
Y el llanto que en su cólera derama, / La hoguera apaga del antiguo amor! / Zorrilla.
Amor! delírio — engano… Sobre a terra / Amor tão bem fruí; a vida inteira / Concentrei num só ponto — ama-la, e sempre. / Amei! — dedicação, ternura, extremos / Scismou meu coração, scismou minha alma, / — Minha alma que na taça da ventura / Vida breve damor sorveo gostosa. / Eu e ela, ambos nós, na terra ingrata / Oásis, paraíso, eden ou templo / Habitámos uma hora; e logo o tempo / Com a foice roaz quebrou-lhe o encanto, / Doce encanto que o amor nos fabricára.
E eu sempre a via!.. quer nas nuvens doiro, / Quando ia o sol nas vagas sepultar-se, / Ou quer na branca nuvem que velava / O circulo da lua, — quer no manto / Dalvacenta neblina que baixava / Sobre as folhas do bosque, muda e grave, / Da tarde no cair; nos céus, na terra, / A ela, a ela só, viam meus olhos.
Seu nome, sua voz — ouvia eu sempre; / Ouvia-os no gemer da parda rola, / No trepido correr da veia argentea, / No respirar da brisa, no sussurro. / Do arvoredo frondoso, na harmonia / Dos astros inefável; — o seu nome! / Nos fugitivos sons de alguma frauta, / Que da noite o silencio realçavão, / Os ares e a amplidão divinisando, / Ouvião meus ouvidos; e de ouvi-lo / Arfava de prazer meu peito ardente.
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