
I Juca Pirama
Gonçalves Dias (?–1864)
O começo — Y-JUCA-PYRAMA.
No meio das tabas de amenos verdores / Cercadas de troncos — cobertos de flores, / Alteião-se os tectos dalliva nação; / São muitos seus filhos, nos ânimos forics, / Temíveis na guerra, que em densas cohortes / Assombrão das matas a imensa extensão
São rudes, severos, sedentos de gloria, / Já prelios incilão, já cantão vitória, / Já meigos altendem a voz do cantor: / São todos tymbiras, guerreiros valentes! / Seu nome la voa na boca das gentes, / Condão de prodígios, de gloria e terror!
As tribus vizinhas sem forças, sem brio, / As armas quebrando, lançando-as ao rio, / O incenso aspirárão dos seus maracás: / Medrosos das guerras que os fortes acendem, / Custosos tributos ignavos lá rendem, / Aos duros guerreiros sugeitos na paz
No centro da taba se extende um terreiro, / Onde ora se aduna o concilio guerreiro / Da tribu senhora, das tribus servis: / Os velhos sentados praticão d’outr’ora, / E os moços inquietos, que a festa enamora, / Derramão-se em torno de um índio infeliz.
Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.