O Mar (Gonçalves Dias)
Gonçalves Dias (?–1864)
O começo
Frappé de ta grandeur farouche / Je tremble… est-ce bien toi, vieux lion que je touche, / Océan, terrible océan! / Turquety
Oceano terrível, mar imenso / De vagas procelosas que se enrolam / Floridas rebentando em branca espuma / Num polo e noutro polo, / Enfim… enfim te vejo; enfim meus olhos / Na indômita cerviz trêmulos cravo, / E esse rugido teu sanhudo e forte / Enfim medroso escuto!
Donde houveste, ó pélago revolto, / Esse rugido teu? Em vão dos ventos / Corre o insano pegão lascando os troncos,
E do profundo abismo / Chamando à superfície infindas vagas, / Que avaro encerras no teu seio undoso; / Ao insano rugir dos ventos bravos / Sobressai teu rugido. / Em vão troveja horríssona tormenta; / Essa voz do trovão, que os céus abala, / Não cobre a tua voz. — Ah! donde a houveste, / Majestoso oceano?
Ó mar, o teu rugido é um eco incerto / Da criadora voz, de que surgiste: / Seja, disse; e tu foste, e contra as rochas / As vagas compeliste. / E à noite, quando o céu é puro e limpo, / Teu chão tinges de azul, — tuas ondas correm / Por sobre estrelas mil; turvam-se os olhos / Entre dois céus brilhantes.
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