O Templo
Gonçalves Dias (?–1864)
O começo
…Jéhovah déploie autour de nos demeures / Le linceul de la nuit, ei la chaîne des heures / Tombe anneau par anneauu. / — Turquety
I Estou só neste mudo santuário, / Eu só, com minha dor, com minhas penas! / E o pranto nos meus olhos represado, / Que nunca viu correr humana vista, / Livremente o derramo aos pés de Cristo, / Que tão bem suspirou, gemeu sozinho, / Que tão bem padeceu sem ter conforto, / Como eu padeço, e sofro, e gemo, e choro.
Remorso não me punge a consciência, / Vergonha não me tinge a cor do rosto, / Nem crimes perpetrei; - porque assim choro? / E direi eu por quê? - Antes meu berço, / Que vagidos de infante vividouro, / Os sons finais de um moribundo ouvisse! / Que esperanças que eu tinha tão formosas, / Que mimosos enlevos de ternura, / Não continha minha alma toda amores! / Esperanças e amor, que é feito delas? / Um dia me roubava uma esperança, / E sozinho, uma e uma, me deixaram. / Morreram todas, como folhas verdes / Que em princípios do inverno o vento arranca.
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