Ideia de Deus
Gonçalves Dias (?–1864)
O começo
Gross ist der Herr! Die Himmel ohne Zahl / Sind seine Wohnungen! / Seine Wagen die donnernden Gewölke, / Und Blitze sein Gespann. / — KLeist
I À voz de Jeová infindos mundos / Se formaram do nada; / Rasgou-se o horror das trevas, fez-se o dia, / E a noite foi criada,
Luziu no espaço a lua! sobre a terra / Rouqueja o mar raivoso, / E as esferas nos céus ergueram hinos / Ao Deus prodigioso.
Hino de amar a criação, que soa / Eternal, incessante, / Da noite no remanso, no ruído / Do dia cintilante!
A morte, as aflições, o espaço, o tempo, / O que é para o Senhor? / Eterno, imenso, que lh'importa a sanha / Do tempo roedor?
Como um raio de luz, percorre o espaço, / E tudo nota e vê - / O argueiro, os mundos, o universo, o justo; / E o homem que não crê.
E ele que pode aniquilar os mundos, / Tão forte como ele é, / E vê e passa, e não castiga o crime, / Nem o ímpio sem fé!
Porém quando corrupto um povo inteiro / O Nome seu maldiz, / Quando só vive de vingança e roubos, / Julgando-se feliz;
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