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Minha Vida e Meus Amores

Gonçalves Dias (?–1864)

Poesia3 min de leitura2 páginas

O começo

Quando, no albor da vida, fascinado / Com tanta luz e brilho e pompa e galas, / Vi o mundo sorrir-me esperançoso: / — Meu Deus, disse entre mim, oh! quanto é doce, / Quanto é bela esta vida assim vivida! — / Agora, logo, aqui, além, notando / Uma pedra, uma flor, uma líndeza, / Um seixo da corrente, uma conchinha / À beira-mar colhida!

Foi esta a infância minha; a juventude / Falou-me ao coração: — amemos, disse, / Porque amar é viver. / E esta era linda, como é linda a aurora / No fresco da manhã tingindo as nuvens / De rósea cor fagueira; / Aquela tinha um quê de anelos meigos / Artífice sublime; / Feiticeiro sorrir dos lábios dela / Prendeu-me o coração; — julguei-o ao menos.

Aquela outra sorria tristemente, / Como um anjo no exílio, ou como o cálix / De flor pendida e murcha e já sem brilho. / Humilde flor tão bela e tão cheirosa, / No seu deserto perfumando os ventos. / —- Eu morrera feliz, dizia eu dalma, / Se pudesse enxertar uma esperança / Naquela alma tão pura e tão formosa, / E um alegre sorrir nos lábios dela.

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