Se se Morre de Amor
Gonçalves Dias (?–1864)
O começo
Meere und Berge und Horizonte zwischen den Liebenden — aber die Seelen versetzen sich aus dem staubigen Kerker und treffen sich im Paradiese der Liebe.
Schiller, Die Rüuber .
Se se morre de amor! — Não, não se morre, / Quando é fascinação que nos surprende / De ruidoso saráu entre os festejos; / Quando luzes, calor, orquestra e flores / Assomos de prazer nos raião nalma, / Que embelezada e solta em tal ambiente / No que ouve, e no que vê prazer alcança!
Simpáticas feições, cintura breve, / Graciosa postura, porte airoso, / Uma fita, uma flor entre os cabelos, / Um quê mal definido, acaso podem / Num engano damor arrebatar-nos. / Mas isso amor não é; isso é delírio, / Devaneio, ilusão, que se esvaece / Ao som final da orquestra, ao derradeiro / Clarão, que as luzes no morrer despedem! / Se outro nome lhe dão, se amor o chamam, / Damor igual ninguém sucumbe â perda.
Amor é vida; é ter constantemente / Alma, sentidos, coração — abertos, / Ao grande, ao belo; é ser capaz dextremos, / Daltas virtudes, té capaz de crimes! / Compreender o infinito, a imensidade, / E a natureza e Deos; gostar dos campos, / Daves, flores, murmúrios solitários; / Buscar tristeza, a soledade, o ermo, / E ter o coração em riso e festa; / E à branda festa, ao riso da nossa alma / Fontes de pranto intercalar sem custo; / Conhecer o prazer e a desventura / No mesmo tempo, e ser no mesmo ponto / O ditoso, o miserrimo dos entes: / Isso é amor, e desse amor se morre!
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