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Os Timbiras

Gonçalves Dias (?–1864)

Poesia59 min de leitura52 páginas

O começo — I

Sentado em sítio escuso descansava / Dos Timbiras o chefe em trono anoso, / Itajubá, o valente, o destemido / Acoçador das feras, o guerreiro / Fabricador das incansáveis lutas. / Seu pai, chefe também, também Timbira, / Chamava-se o Jaguar: dele era fama / Que os musculosos membros repeliam / A flecha sibilante, e que o seu crânio / Da maça aos tesos golpes não cedia. / Cria-se… e em que não crê o povo stulto? / Que um velho piaga na espelunca horrenda / Aquele encanto, inútil num cadáver, / Tirara ao pai defunto, e ao filho vivo / Inteiro o transmitira: é certo ao menos / Que durante uma noite juntos foram / O moço e o velho e o pálido cadáver.

Mas acertando um dia estar oculto / Num denso tabocal, onde perdera / Traços de fera, que rever cuidava, / Seta ligeira atravessou-lhe um braço. / Mão dinimigo traidor a disparara, / Ou fora algum dos seus, que receoso / Do mal causado, emudeceu prudente.

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