Violões que Choram...
Cruz e Sousa (?–1898)
O começo
VIOLÕES QUE CHORAM… / Ah! plangentes violões dormentes, mornos, / Soluços ao luar, choros ao vento… / Tristes perfis, os mais vagos contornos, / Boccas murmurejantes de lamento.
Noites de além, remotas, que eu recordo, / Noites da solidão, noites remotas / Que nos azuis da Phantasia bordo, / Vou constellando de visões ignotas.
Subtis palpitações à luz da lua, / Anceio dos momentos mais saudosos, / Quando lá choram na deserta rua / As cordas vivas dos violões chorosos.
Quando os sons dos violões vão soluçando, / Quando os sons dos violões nas cordas gemem, / E vão dilacerando e deliciando, / Rasgando as almas que nas sombras tremem.
Harmonias que pungem, que laceram, / Dedos nervosos e ágeis que percorrem / Cordas e um mundo de dolencias geram, / Gemidos, prantos, que no espaço morrem…
E sons soturnos, suspiradas magoas, / Magoas amargas e melancolias, / No sussurro monótono das águas, / Nocturnamente, entre ramagens frias.
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