Adeus!
Cruz e Sousa (?–1898)
O começo
Zulma, adeus! adeus, Zulma! O derradeiro abraço, o derradeiro beijo, e adeus!
Os primeiros esmorecimentos do dia descem e um crepúsculo de cismas, de brumas misteriosas, turva as claridades bizarras e palpitantes de há pouco.
É o crepúsculo da noite — velha saudade dos tempos, recordação fugidia das eras primitivas, spleen das almas, — acendendo no alto das colinas remotas e enternecedoras do Passado todos os faróis apagados das reminiscências, fazendo cintilar claros todos os pressagos santelmos das Navegações velejantes, outrora, pelos países da Ilusão!
Adeus, Zulma! O derradeiro abraço, o derradeiro beijo, e adeus!
As inclementes amarguras do Mundo vieram já gralhar agoirentamente dentro da necrópole sombria deste coração… E tu foste a maior dessas amarguras, que em forma de ave sinistra gralhaste os teus dolorosos agoiros.
Através dos dilaceramentos da Vida, das tortuosidades do Desejo, das inquietações do Espírito, uma tarde — bela e majestosa tarde foi essa! —cheia de silêncios e sombras, vi pela primeira vez o teu perfil fascinativo, que o ritmo nobre de uma estranha música de perfeições e graça sonorizava serenamente.
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