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Anjo Gabriel

Cruz e Sousa (?–1898)

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

Na calma irradiação das noites estreladas / Alto e claro aparece, alto, aparece, claro, / Alvo, claro, no luar das estrelas prateadas, / No triunfal esplendor celestemente raro.

O seu busto de Excelso, a sua graça fina, / A linha de harpa ideal do seu perfil augusto, / Estremecem de luz, de uma luz peregrina, / Do secreto fulgor de um sentimento justo.

Serenidade e glória e paz do Paraíso / Flutuam-lhe na face alvorecida e doce / E quando ele sorri é como se o sorriso / Claros astros semear por todo o espaço fosse.

Leve, loura,.radial, a soberba cabeça / Eleva-se da flor do níveo colo louro / E não há outro sol que tanto resplandeça / Como o sol virginal dessa cabeça de ouro.

As mãos esculturais, de ebúrnea transparência, / De divina feitura e de divino encanto, / Lembram flores sutis de sonhadora essência / Da etérea languidez e de etéreo quebranto.

Das madeixas reais largo deslumbramento / Num flavo jorro cai, com sagrado abandono… / E sai do Anjo o quer que é de vago e de nevoento / Que lembra o despertar sonâmbulo de um sono…

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