A Espada
Cruz e Sousa (?–1898)
O começo
Cavalheiros, os tempos já passados, / De pajens, de canzéis, de fidalguia, / De castelos, de reinos brasonados.
Ar cortesão de graça e fantasia / Através dos olhares e dos beijos / — No silêncio de cada galeria…
Foi nesse bravo tempo dos lampejos / De espadas, de punhais e de couraças / Por combater frementes de desejos.
No tempo dos floreios e das caças / Dos assaltos alegres e bizarros / Como as sonoras vibrações das taças.
Em que as almas airosas como jarros, / Cheios de vinho espumejante e ardente / Eram de glória vencedores carros!
Foi no tempo fidalgo e refulgente, / Quando o heroísmo fantasioso amava / A linha e a chama de luzida gente,
Que esta cena galharda se passava, / Quando um donzel partia para guerra / Como a nobreza do solar mandava.
O pai, um tronco transudando a terra, / Forte e viril, presença de profeta / Que no seu flanco a valentia encerra.
Barbas serenas de bondoso asceta / Em cuja alvura doce e veneranda / Vê-se a vontade e a intrepidez completa.
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