A Imprensa
Cruz e Sousa (?–1898)
O começo
A Imprensa e brilhante como o meteoro, / sublime como os arrebóis do cerúleo / infinito! / (Do Autor)
A lâmpada gigantesca / Das glórias do porvir, / Turíbulo majestoso / No mundo a irradir, / É a imprensa tesouro / E c'roa de verde louro / A fronte do escritor! / E centelha sublimada / Que vem do céu arrojada / A treva dando fulgor!
— O homem nasceu pequeno / Mas com as letras cresceu / Foi como o vulto de Rodes / Que lá tão alto s’ergueu! / Foi preciso — estudando / Co’a própria ideia lutando / Mergulhar-se na luz! / Foi preciso ter glória, / Brilhante, leda memória, / Colher renomes a flux!
Foi preciso mil lutas / Mil labores insanos / P'ra descobrir nesses mundos / Da diva luz os arcanos! / Foi preciso que um bravo / Não mostrando-se ignavo / Mas inspirado por Deus! / A pedra bruta talhasse / E a luz então derramasse / Qual seiva santa dos Céus!
Foi preciso os séculos / Ainda um pouco nas trevas / Erguessem as frontes bem alto / E devastassem mil selvas! / Foi preciso que o mundo / Sentisse abalo profundo / Ao desvendar- se o saber! / Foi preciso que os entes / Ou se erguessem potentes / Ou tombassem a morrer!
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