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Anho Branco

Cruz e Sousa (?–1898)

Poesia5 min de leitura4 páginas

O começo

Lembrava frescura de úmidas rosas desabrochadas, eflorescência de magnólias e a candidez de alma de pastores aquela carnação opulentamente branca.

Existência singela, segetal, um tanto primitiva, de serranias alpestres, o espírito a imaginava surgindo dentre vergéis de lírios e açucenas, numa clara fulguração de brancuras, como se as constelações a houvessem fecundado.

Uma luz desconhecida parecia rodeá-la de auréolas arcangélicas, celestiais…

No entanto, a sua carne viva, virgem, radiantemente alva, da translucidez requintada da lua, determinava bem a sua terrestre descendência.

Pelos campos, pelos prados, ela surgia com o sol, ela noctivagava com as estrelas, branca e de fino ouro flavo nos cabelos.

Surgia com o sol, na lactescência imaculada do seu corpo de flexibilidades e delicadezas de linho; noctivagava com as estrelas, na chama doirada dos seus cariciosos, suaves cabelos.

Na alvorada púbere desse sangue majestoso de Virgem, inefável Infinidade de sereias de volúpia cantava.

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