Esquecimento
Cruz e Sousa (?–1898)
O começo
ESQUECIMENTO / Ó Estrellas tranquilas, esquecidas / No seio das Esphéras, / Velhos biliões de lagrimas, de vidas, / Refulgentes Chiméras.
Astros que recordais infancias de ouro, / Castidades serenas, / Irradiações de magico tesouro, / Aromas de assucenas.
Rosas de luz do céu resplandescente, / Ó Estrellas divinas, / Sereias brancas da região do Oriente, / Ó Visões peregrinas!
Aves de ninhos de frouxéis de prata / Que cantais no Infinito / As Lettras da Canção intemerata / Do Mysterio bendito.
Thuributos de graça e encantamento / Das sidéreas umbellas, / Desvendai-me as Mansões do Esquecimento, / Radiantes sentinelas.
Dizei que palidez de mortos lírios / Ha por estas estradas / E se terminam todos os martírios / Nas brumas encantadas.
Se nessas brumas encantadas chóram / Os anceios da Terra, / Se os lírios mortos que há por lá se auróram / De purpuras de guerra.
Se as que há por cá titanicas cegueiras, / Atordoadas vitórias, / Embebédam os seres nas poncheiras / E no gozo das glorias!
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