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O Sonho do Idiota

Cruz e Sousa (?–1898)

Poesia16 min de leitura14 páginas

O começo

Je suis inconsolable de t’avoir vue. Hélas! tu es la bien-aimée! J'ai la mélancolie de toi. Je nai de force que vers toi.

VILLIERS DE L'ISLE ADAM, Axël

Revelações de gênesis que acorda, talvez, no cérebro daquele idiota. Revelações de gênio incubado, que o segredo de um pensamento isolou e emudeceu… Mas, contudo, o certo era que no cérebro daquele idiota rasgavam-se esferas curiosas de sensação, radiavam chamas fenomenais, línguas malditas falavam as linguagens cabalísticas, misteriosas, das paixões humanas, das complexidades psíquicas.

Espécie de formidável olho de ciclope, esse cérebro deformado via em visão múltipla, de sorte que, ainda mesmo na realidade, parecia sempre estar sonhando, ainda mesmo acordado, era um sonho vivo que perambulava…

Belo idiota, triste idiota, soturnizado idiota, este, em verdade, atado de pés e mãos ao cepo da sua própria existência, como anfratuoso e feroz orango preso em jaula de ferro!

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