O Balão
O começo
Requeiro oh Musa, / Do grande Urbino, / Pincel divino, / Dalto rojão; / De Tasso o gênio, / De Homero a fama, / Que o mundo aclama, / Daurea feição.
Que cantar quero, / Vibrando o plectro, / Com doce metro, / Ancho balão; / Erguendo aos ares / Novas esferas, / Tontas megeras, / De rubição.
Guapos rapazes, / Velhos caducos, / Sandeus, malucos, / Por devoção; / Que, por pachólas, / O siso despem, / E à moda vestem, / Lá do Japão.
Rompa-se a marcha! / Eis um capenga, / Que untada a quenga / Traz de sabão; / Andar cadente, / No gesto grave, / E grossa trave / Tem por bastão!
O’ que prosapia! / Traja com gosto, / Tem o composto / De um figurão! / Vem atacado, / E tam rotundo, / Que afronta o mundo, / Com seu balão!
Desfez-se o homem, / E não é peta, / Fez-se planeta, / — De Escorpião — / Tem gás na pança, / Suspiro e bomba, / — Astro de tromba, / Luz de alcatrão!
Olá! que vejo! / Qual nivea estrela,
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