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O Rei Cidadão

Luís da Gama

Poesia3 min de leitura3 páginas

O começo

O Imperador reina, governa, / e administra, tal é o nosso direi- / to publico, consagrado na consti- / tuição. / (Visconde de Itaborahy.— Discursos ).

E’ o direito cousa alpendourada, / Que põe-nos a cabeça atordoada. / O principio, a dootrina, a conclusão / Nas ideias produzem turbação. / Acertar eu pretendo a todo instante; / Mas sinto o meu bestunto vacilante; / Si na these aprofundo, e bato à fronte / Todo o Rei me parece um mastodonte!

Pelo que já vou crendo no rifão / —Que o Rei da mixta forma é velhacão.

No tempo antigo o Rei obrava só; / De chanfalho na mão cortava o nó ; / E os ministros calados como escudos, / Eram todos do Rei, creados-mudos. / Hoje em dia, porém, mudou-se a cena; / Quebrou-se o ferreo guante, voga a pena; / A pena e a palavra; a língua luta, / Soberana domina a força bruta. / O Rei não obra só; pois, na linguagem, / Obra mais do que o Rei a vassalagem. / —Reina o Rei, não governa—é o problema; / —Mas, si reina, governa: eis o dilema! / —Não só reina, governa e administra— / E’ suprema doctrina monarquista.

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