Os Glutões
O começo
….….….….….….….….….….….….….….….…… / Que os gazeos olhos pela mesa espalha / Por ver se há mais comer que tire ou peça, / Entrando nele com tal fome, e pressa / Qual faminto frizão em branda palha; / (N. Tolentino.— Soneto .)
Oh tu quadrada Musa impavesada, / Soberana rainha da papança, / Borrachuda matrona insaciável / Que tens o corpo pingue, e larga pança;
Oh tú arca bojuda que resguardas / O profuso fardel das comidelas; / Amasona terrível, devorante / Té capaz de engolir mil caravelas:
Esganiça o pescoço longo-estreito, / Em linha põem os teus animalejos, / Os horridos abutres, feios lobos, / Porcos, galinhas, gatos, percevejos.
Vem à triste morada do trovista / Um canto lhe inspirar que cheire a bife, / Para a fama elevar dos lambareiros / Sobre as grimpas do monte Tenerife.
Vem filha do pincel do grande Alciato / Dourar os versos meus que, descorados, / Não podem atrahir Leitores sábios, / Amantes da lambança e bons guizados.
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