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Meus Amores

Luís da Gama

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

Pretidão de amor, / Tão leda a figura / Que a neve lhe jura, / Que mudara a cor. / (Camões.— Endeixas .)

Meus amores são lindos, cor da noite / Recamada de estrelas rutilantes; / São formosa creoula, ou Tethis negra, / Tem por olhos dous astros cintilantes.

Em rubentes granadas embutidas / Tem por dentes as pérolas mimosas, / Gottas de orvalho que o inverno gela / Nas breves pétalas de carminea rosa.

Os braços torneados que allucinão, / Quando os move perluxa com langor, / A boca é roxo lírio abrindo a medo, / Dos lábios se destilla o grato olor.

O colo de veludo Venus bela / Trocàra pelo seu, de inveja morta; / Da cintura nos quebros há luxuria / Que a filha de Cyneras não suporta.

A cabeça envolvida em nubia trumfa / Os seios são dous globos a saltar; / A voz traduz lascívia que arrebata, / —E' cousa de sentir, não de contar.

Quando a brisa veloz, por entre am goas, / Espaneja as cambraias escondidas, / Deixando ver aos olhos cubiçosos, / As lisas pernas de ébano luzidas.

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