Pacotilha
O começo
Se vive à janela / Moçoila gorducha, / Qual freira capucha, / Mirando o janota; / Fazendo tregeitos, / De lenço abanando, / O olho piscando — / E’ tola, idiota
Se meiga donzela, / Damor delirante,
Em lábios de amante / Segura se faz; / Poem fé no magano, / Lá cede um beijinho, / Mais outro abracinho — / Está no carcaz. …
Se velha caduca, / De face rugosa, / Pretende ansiosa / Gentil namorado; / Com feias caretas / O dente arreganha, / Suspira, por manha — / E’ triste pecado.
E tendo na boca / Postiço teclado , / Com cera pegado, / Que joga e chocalha, / Das moças critica, / Com sanha de fúria, / Banindo a luxuria — / Não passa de gralha.
Se tolo basbaque, / Em prosa maçante / Julgando-se um Dante, / Se torna poeta ; / Sem estro e sem tino, / De amor em furores, / Só fala das flores — / Precisa dieta.
E tendo na cara / Trombudo focinho,
Qual porco de espinho, / Se faz namorado; / Mettido em funduras / Lá geme, e suspira, / Qual fero Tymbira — / E’ asno chapado.
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