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Epístola Familiar

Luís da Gama

Poesia5 min de leitura5 páginas

O começo

São Paulo, 11 de Dezembro de 1866. / Meu querido Gedeão / Das Tramoyas Cansanção.

Há muito, presado amigo, / Dos meus males doce abrigo, / Pretendia eu novas dar-te / Desta Patria do Deus Marte; / Porém sempre perseguido, / Pelo fado fementido, / Yivo tão atropelado, / De trabalho estenuado, / Que nem sei como mastigo / As torradinhas de trigo, / Com que dou conforto ao peito

Já das magoas tão desfeito. / Bem sei eu, que a velha historia, / Por querer turbar a gloria / Aos preclaros descendentes * / Dos heróis armipotentes / —Cubas, Pires e Buenos—, / Que venceram Turcos, Brenos, / Chinos, Persas, Anglicanos, / Fanfarroens heróis hespanos / —Sancho Pansa e Dom Quixote—, / A bodoque e chifarote, / Quer, por força, que o Deus Marte / Fosse nado em outra parte. / Eu, porém, protesto e juro, / Do que digo bem seguro, / Que a extrangeira historia mente; / Porque Marte é desta gente, / Inda mais, dizer-te quero, / Contra a voz do mundo fero, / Que as vitórias desta terra / Quer lançar do lodo à berra, / Que São Jorge, o gran guerreiro, / Aqui viu a luz primeiro; / Que…

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