Novo Sortimento de Gorras para a Gente de Grande Tom
O começo
De repente, magoado / Da carapuça maldita, / Qual possesso, o pobre grita / Contra o fabricante ousado! / Debalde o artista, coitado, / Já de receio convulso / Quer provar que nobre impulso / O move, quando trabalha! / —A carapuça que talha / Ninguém crê ser feita avulso! / (F. X. de Novaes.)
Se estudante que vive à barba longa, / Excedendo, no grito, uma araponga, / Braveja contra o fero despotismo , / No lethes sepultando o servilismo;
E depois, quando chega a ser doctor, / Se transforma em sediço adulador; / Permuta a consciência por dinheiro, / E se faz, do Governo, fraldiqueiro: / Não te espantes, Leitor, desta mudança, / São milagres da Deusa da pitança.
Se vires um tratante ou embusteiro, / Com tretas, iludindo ao mundo inteiro, / A todos atirando horrendo bòte, / Sem haver quem o coce a calabrote; / Se vires o critério desprezado, / O torpe ratoneiro empoleirado, / Orelhudos jumentos—de gravatas, / E homens de saber a quatro patas: / Não te espantes, Leitor, da barbaria, / Que é Deusa do Brasil a bruxaria.
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