Balada de Loucos
Cruz e Sousa (?–1898)
O começo
Oui, nulle souffrance ne se perd, toute douleurfructifie, il en reste un arome suibtil qui se répand indefiniment dans le monde!
M. DE VOGUE
Mudos atalhos afora na soturnidade de alta noite, eu e ela, caminhávamos.
Eu, no calabouço sinistro de uma dor absurda, como de feras devorando entranhas, sentindo uma sensibilidade atroz morder-me, dilacerar-me.
Ela, transfigurada por tremenda alienação, louca, rezando e soluçando baixinho rezas bárbaras.
Eu e ela, ela e eu! — ambos alucinados, loucos, na sensação inédita de uma dor jamais experimentada.
A pouco e pouco — dois exilados personagens do Nada — parávamos no caminho solitário, cogitando o rumo, como, quando se leva a enterrar alguém, as paradas rítmicas do esquife…
Eram em torno paisagens tristes, torvas, árvores esgalhadas nervosamente, epilepticamente — espectros de esquecimento e de tédio, braços múltiplos e vãos sem apertar nunca outros braços amados!
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