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Capro

Cruz e Sousa (?–1898)

Poesia12 min de leitura11 páginas

O começo

Dentro daquele organismo em seiva fumente de novilho espojando-se na amplidão dos campos relvosos, trinavam, cantavam pássaros, vibravam fanfarras marciais.

Temperamento de guerra, ostentoso como um carro de triunfo, outrora, nas hostes helênicas, era a volúpia que lhe ritmava as ideias, que lhe dava diapasão ao entendimento.

Virginal, como a alva constelação dos astros, a sua Arte abria-se numa florescência vigorosa, dimanando o aroma natural, puro, criador e intenso, de terras lavradas e germinais, revolvidas de fresco, a doçura verde das tenras e viçosas folhagens, entre as quais brilha ao sol a loura abundância sazonada dos frutos.

A sua natureza deveria ser estudada sem roupagens, sem atavios, livremente, a golpes crus e acres, a tons violentos e rubros, profundos e flagrantes, na plenitude de toda a extravagância e de toda a idiossincrasia que o singularizava.

A afloração da sua força psíquica fazia lembrar uma fantástica floresta vermelha por efeito de um incêndio colossal: — largas e longas manchas de sangue alastrando tudo, clarinando tudo de gritos, de brados, de púrpuras de indignação, de ódios artísticos, de despeitos, de tédios mortais, de spleens enevoados.

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