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Perdão! (Casimiro de Abreu)

Casimiro de Abreu (?–1860)

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

I Choraste?! - E a face mimosa / Perdeu as cores da rosa / E o seio todo tremeu?! / Choraste, pomba adorada? / E a lágrima cristalina / Banhou-te a face divina / E a bela fronte inspirada / Pálida e triste pendeu?!

Choraste?! - E longe não pude / Sorver-te a lágrima pura / Que banhou-te a formosura! / Ouvir-te a voz de alaúde / A lamentar-se sentida! / Humilde cair-te aos pés, / Oferecer-te esta vida / No sacrifício mais santo, / Para poupar esse pranto / Que te rolou sobre a tez!

Choraste?! - De envergonhada, / No teu pudor ofendida, / Porque minh'alma atrevida / No seu palácio de fada, / - No sonhar da fantasia - / Ardeu em loucos desejos, / Ousou cobrir-te de beijos / E quis manchar-te na orgia!

….….….….….….

II Perdão p'r'o pobre demente / Culpado, sim, - inocente - / Que se te amou, foi demais! / Perdão p'ra mim que não pude / Calar a voz do alaúde, / Nem comprimir os meus ais!

Perdão oh! flor dos amores, / Se quis manchar-te os verdores, / Se quis tirar-te do hastil! / - Na voz que a paixão resume / Tentei sorver-te o perfume… / E fui covarde e fui vil!…

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