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Minh'alma É Triste

Casimiro de Abreu (?–1860)

Poesia3 min de leitura2 páginas

O começo

Mon coeur est plein - je veux pleurer!

Lamartine.

I Minh'alma é triste como a rola aflita / Que o bosque acorda desde o albor da aurora, / E em doce arrulo que o soluço imita / O morto esposo gemedora chora.

E, como a rola que perdeu o esposo, / Minh'alma chora as ilusões perdidas, / E no seu livro de fanado gozo / Relê as folhas que já foram lidas.

E como notas de chorosa endecha / Seu pobre canto com a dor desmaia, / E seus gemidos são iguais à queixa / Que a vaga solta quando beija a praia.

Como a criança que banhada em prantos / Procura o brinco que levou-lhe o rio, / Minh'alma quer ressuscitar nos cantos / Um só dos lírios que murchou o estio.

Dizem que há gozos nas mundanas galas, / Mas eu não sei em que o prazer consiste. / - Ou só no campo, ou no rumor das salas, / Não sei porque - mas a minh'alma é triste!

II Minh'alma é triste como a voz do sino / Carpindo o morto sobre a laje fria; / E doce e grave qual no templo um hino, / Ou como a prece ao desmaiar do dia.

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