A J. J. C. Macedo-Júnior
Casimiro de Abreu (?–1860)
O começo
Poète, prends ta lyre; aigle, ouvre ta jeune aile; / Étoile, étoile, lève-toi!
V. Hugo.
Como o índio a saudar o sol nascente, / Co'o sorriso nos lábios, franco e ledo / Aperto a tua mão: / Cantor das açucenas, crê-me agora, / Este canto que a lira balbucia / É pobre, mas de irmão!
Quando se sente como eu sinto e sofro, / A mente ferve e o coração palpita / De glórias e de amor: / Se ouço Arthur ao piano eu me extasio, / Mas ouvindo teus hinos me arrebato / E pasmo ante o cantor!
Na juventude, no florir dos anos, / Não sei que vozes nos entornam nalma / Canções de querubim! / Uns perdem, como eu, cedo os verdores, / Mas outros crescem no primor das graças / E tu serás assim!
Oh! mocidade! como és bela e rica! / Hinos de amores neste sec'lo bruto! / Louvor ao menestrel! / Palmas a ti, cantor das açucenas! / Quatorze primaveras nessa fronte / Semelham-te um laurel!
Quando tão moço, no raiar da vida, / Já doce cantas como o doce aroma / Das lânguidas cecéns, / Podes, criança, erguer a fronte altiva! / Como André-Chénier, no crânio augusto / Alguma cousa tens!
Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.