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Amor e Medo

Casimiro de Abreu (?–1860)

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

I Quanto eu te fujo e me desvio cauto / Da luz de fogo que te cerca, oh! bela, / Contigo dizes, suspirando amores: / "- Meu Deus! que gelo, que frieza aquela."

Como te enganas! meu amor é chama / Que se alimenta no voraz segredo, / E se te fujo é que te adoro louco… / És bela - eu moço; tens amor - eu medo!

Tenho medo de mim, de ti, de tudo, / Da luz, da sombra, do silêncio ou vozes, / Das folhas secas, do chorar das fontes, / Das horas longas a correr velozes.

O véu da noite me atormenta em dores, / A luz da aurora me intumesce os seios, / E ao vento fresco do cair das tardes / Eu me estremeço de cruéis receios.

É que esse vento que na várzea - ao longe, / Do colmo o fumo caprichoso ondeia, / Soprando um dia tornaria incêndio / A chama viva que teu riso ateia!

Ai! se abrasado crepitasse o cedro, / Cedendo ao raio que a tormenta envia, / Diz: - que seria da plantinha humilde / Que à sombra dele tão feliz crescia?

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