Minha Terra
Casimiro de Abreu (?–1860)
O começo
Minha terra tem palmeiras / Onde canta o sabiá.
G. Dias.
Todos cantam sua terra, / Também vou cantar a minha, / Nas débeis cordas da Lira / Hei de fazê-la rainha; / — Hei de dar-lhe a realeza / Nesse trono de beleza / Em que a mão da natureza / Esmerou-se em quanto tinha.
Correi pr’as bandas do sul / Debaixo dum céu de anil / Encontrareis o gigante / Santa Cruz, hoje Brasil; / — É uma terra de amores / Alcatifada de flores / Onde a brisa fala amores / Nas belas tardes de Abril.
Tem tantas belezas, tantas, / A minha terra natal, / Que nem as sonha um poeta / E nem as canta um mortal! / — É uma terra encantada / — Mimoso jardim de fada — / — Do mundo todo invejada, / Que o mundo não tem igual.
Não, não tem, que Deus fadou-a / Dentre todas — a primeira: / Deu-lhe esses campos bordados, / Deu-lhe os leques da palmeira, / E a borboleta que adeja / Sobre as flores que ela beija, / Quando o vento rumoreja / Na folhagem da mangueira.
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