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As Primaveras (1859)

Casimiro de Abreu (?–1860)

Poesia3 min de leitura3 páginas

O começo — Introdução

São as flores das minhas primaveras / Rebentadas a sombra dos coqueiros. / TEIXEIRA DE MELO - Sombras e Sonhos.

Um dia - além dos Órgãos, na poética Friburgo - isolado dos meus companheiros de estudo, tive saudades da casa paterna e chorei.

Era de tarde; o crepúsculo descia sobre a crista das montanhas e a natureza como que se recolhia para entoar o cântico da noite; as sombras estendiam-se pelo leito dos vales e o silêncio tornava mais solene a voz melancólica do cair das cachoeiras. Era a hora da merenda em nossa casa e pareceu-me ouvir o eco das risadas infantis de minha mana pequena! As lágrimas correram e fiz os primeiros versos da minha vida, que intitulei - Às Ave-Marias: - a saudade havia sido a minha primeira musa.

Era um canto simples e natural como o dos passarinhos, e para possuí-lo hoje eu dera em troca este volume inútil, que nem conserva ao menos o sabor virginal daqueles prelúdios!

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