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Moreninha (Casimiro de Abreu)

Casimiro de Abreu (?–1860)

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

Moreninha, Moreninha, / Tu és do campo a rainha, / Tu és senhora de mim; / Tu matas todos damores, / Faceira, vendendo as flores / Que colhes no teu jardim.

Quando tu passas naldeia / Diz o povo à boca cheia: / - "Mulher mais linda não há / "Ai! vejam como é bonita / "Co'as tranças presas na fita, / "Co'as flores no samburá! -

Tu és meiga, és inocente / Como a rola que contente / Voa e folga no rosal; / Envolta nas simples galas, / Na voz, no riso, nas falas, / Morena - não tens rival!

Tu, ontem, vinhas do monte / E paraste ao pé da fonte / À fresca sombra do til; / Regando as flores, sozinha, / Nem tu sabes, Moreninha, / O quanto achei-te gentil!

Depois segui-te calado / Como o pássaro esfaimado / Vai seguindo a juriti; / Mas tão pura ias brincando, / Pelas pedrinhas saltando, / Que eu tive pena de ti!

E disse então: - Moreninha, / Se um dia tu fores minha, / Que amor, que amor não terás! / Eu dou-te noites de rosas / Cantando canções formosas / Ao som dos meus ternos ais.

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