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Camões e o Jaú

Casimiro de Abreu (?–1860)

Poesia16 min de leitura14 páginas

O começo — Prólogo

A 13 de Novembro de 1853, encostado pensativo ao mastro de ré do vapor “Olinda,” transpunha a barra do Rio de Janeiro em demanda das costas de Portugal. Com que dor tinha os olhos fitos naquelas paisagens soberbas que pareciam apagar-se pela distância! Quando deixei de ver as vagas enroladas baterem nos rochedos; quando as montanhas que sé desenhavam ao longe, sumiram-se no horizonte, o pranto correu-me pelas faces, como nunca havia corrido. Eu chorava deveras como hoje suspiro saudoso, porque era a pátria que eu deixava; a terra onde nasci; porque lá ficava meu pai e minha mãe, meus irmãos, tudo que de mais caro tinha no mundo!

Ai! é triste e solene esse momento cruel. Vagando na amplidão dos mares, alongando saudoso a vista e os olhos só veem o azul do céu confundir-se ao longe com o azul das vagas! Os joelhos trêmulos, dobram-se; os lábios ardentes de desespero murmuram meu Deus! minha pátria! minha mãe! o pranto corre livre e o peito arqueja e cansa.

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