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Casimiro de Abreu (?–1860)
O começo
Pobre criança que te afliges tanto / Porque sou triste e se chorar me vês, / E que borrifas com teu doce pranto / Meus pobres hinos sem calor, talvez;
Deus te abençoe, querubim formoso, / Branca açucena que o paul brotou! / Teu pranto é gota de celeste gozo / Na úlcera funda que ninguém curou.
Pálido e mudo e do caminho em meio / Sentei-me à sombra sofredor e só! / Do choro a baga umedeceu-me o seio, / Da estrada a gente me cobriu de pó!
Meus tristes cantos comecei chorando, / Santas endechas, doloridos ais… / E a turba andava! Só de vez em quando / Lânguido rosto se volvia atrás!
E louca a turba que passou sorrindo / Julgava um hino o que eu chamava um ai! / Alguém murmura: - Como o canto é lindo! - / Sorri-se um pouco e caminhando vai!
Bendito sejas, querubim de amores, / Branca açucena que o paul brotou! / Teu pranto é gota que mitiga as dores / Da úlcera funda que ninguém curou!
Há na minh'alma alguma cousa vago, / Desejos, ânsias, que explicar não sei: / Talvez - desejos - dalgum lindo lago, / - Ânsias- dum mundo com que já sonhei!…
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