O Botão de Rosa
Cruz e Sousa (?–1898)
O começo
O campo abrira o seio às expansões frementes / Das árvores senis, dos galhos viridentes.
Caía a tarde fresca / Loira, gentil, vivaz como a canção tudesca. / A iluminada esfera / Calma, profunda, azul como um sonhar de virgem, / Dava um brilho-cetim às verdes folhas de hera. / No ar uma harmonia avigorada e casta, / No crânio uma vertigem / Duma ideia viril, duma eloquência vasta.
Tardes formosíssimas, / Ó grande livro aberto aos geniais artistas, / Como tanto alargais as crenças panteístas, / Como tanto esplendeis e como sois riquíssimas.
Quanta vitalidade indefinida, quanta, / Na pequenina planta, / No doce verde-mar dos trêmulos arbustos, / Que misticismo, justos, / Bebia a alma inteira ao devassar o arcano / Das árvores titãs, das árvores fecundas / Que tinham, como o oceano, / Febris palpitações intérminas, profundas.
Esplêndidas paisagens / Opunhas o largo campo às vistas deslumbradas. / As múrmuras ramagens, / À luz serena e terna, à luz do sol — que espadas / De fogo arremessava, em frêmitos nervosos, / Pelo côncavo azul dos céus esplendorosos, / Tinham falas de amor, segredos vacilantes / Finos como os brilhantes.
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