Estrofes do Solitário
Castro Alves (?–1871)
O começo
Basta de covardia! A hora soa… / Voz ignota e fatídica revoa, / Que vem… Donde? De Deus. / A nova geração rompe da terra, / E, qual Minerva armada para a guerra, / Pega a espada… olha os céus.
Sim, de longe, das raias do futuro, / Parte um grito, pra — os homens surdo, obscuro / Mas para — os moços, não! / É que, em meio das lutas da cidade, / Não ouvis o clarim da Eternidade, / Que troa namplidão!
Quando as praias se ocultam na neblina, / E como a garça, abrindo a asa latina, / Corre a barca no mar, / Se então sem freios se despenha o norte, / É impossível — parar… volver — é morte / Só lhe resta marchar.
E o povo é como — a barca em plenas vagas, / A tirania — é o tremedal das plagas, / O porvir — a amplidão. / Homens! Esta lufada que rebenta / É o furor da mais lôbrega tormenta.. / — Ruge a revolução.
E vós cruzais os braços… Covardia! / E murmurais com fera hipocrisia: / — É preciso esperar… / Esperar? Mas o quê? Que a populaça, / Este vento que os tronos despedaça, / Venha abismos cavar?
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