Aves da Arribação
Castro Alves (?–1871)
O começo
Pensava em ti nas horas de / tristeza, / Quando estes versos pálidos / compus / Cercavam-me planícies sem beleza / Pesava-me na fronte um céu sem luz. / Ergue este ramo solto no caminho. / Sei que em teu seio asilo encontrará. / Só tu conheces o secreto espinho / Que dentro dalma me pungindo está. / FAGUNDES VARELA
Aves, é primavera! à rosa! / à rosa! / TOMÁS RIBEIRO
Era o tempo em que as ágeis andorinhas / Consultam-se na beira dos telhados, / E inquietas conversam, perscrutando / Os pardos horizontes carregados…
Em que as rolas e os verdes periquitos / Do fundo do sertão descem cantando… / Em que a tribo das aves peregrinas / Os Zíngaros do céu formam-se em bando! / Viajar! viajar! A brisa morna / Traz de outro clima os cheiros provocantes.
A primavera desafia as asas, / Voam os passarinhos e os amantes!…
Um dia Eles chegaram. Sobre a estrada / Abriram à tardinha as persianas;
E mais festiva a habitação sorria / Sob os festões das trêmulas lianas. / Quem eram? Donde vinham? — Pouco importa / Quem fossem da casinha os — / São noivos —: as mulheres murmuravam! / E os pássaros diziam: — São amantes —!
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