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Bandido Negro

Castro Alves (?–1871)

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

Corre, corre, sangue do cativo / Cai, cai, orvalho de sangue / Germina, cresce, colheita vingadora / A ti, segador a ti. Está madura. / Aguça tua fouce, aguça, aguça tua fouce. / E. SUE (Canto dos filhos de Agar)

Trema a terra de susto aterrada… / Minha égua veloz, desgrenhada, / Negra, escura nas lapas voou. / Trema o céu … ó ruína! ó desgraça! / Porque o negro bandido é quem passa, / Porque o negro bandido bradou:

Cai, orvalho de sangue do escravo, / Cai, orvalho, na face do algoz. / Cresce, cresce, seara vermelha, / Cresce, cresce, vingança feroz.

Dorme o raio na negra tormenta… / Somos negros… o raio fermenta / Nesses peitos cobertos de horror. / Lança o grito da livre coorte, / Lança, ó vento, pampeiro de morte, / Este guante de ferro ao senhor.

Cai, orvalho de sangue do escravo, / Cai, orvalho, na face do algoz. / Cresce, cresce, seara vermelha, / Cresce, cresce, vingança feroz.

Eia! ó raça que nunca te assombras! / Pra o guerreiro uma tenda de sombras / Arma a noite na vasta amplidão. / Sus! pulula dos quatro horizontes, / Sai da vasta cratera dos montes, / Donde salta o condor, o vulcão.

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