A Boa Vista
Castro Alves (?–1871)
O começo
Sonha, poeta, sonha! Aqui sentado / No tosco assento da janela antiga, / Apóias sobre a mão a face pálida, / Sorrindo — dos amores à cantiga. / ÁLVARES DE AZEVEDO
Era uma tarde triste, mas límpida e suave… / Eu — pálido poeta — seguia triste e grave / A estrada, que conduz ao campo solitário, / Como um filho, que volta ao paternal sacrário,
E ao longe abandonando o múrmur da cidade / — Som vago, que gagueja em meio à imensidade, — / No drama do crepúsculo eu escutava atento
A surdina da tarde ao sol, que morre lento. / A poeira da estrada meu passo levantava, / Porém minh'alma ardente no céu azul marchava / E os astros sacudia no voo violento / — Poeira, que dormia no chão do firmamento. / A pávida andorinha, que o vendaval fustiga,
Procura os coruchéus da catedral antiga. / Eu — andorinha entregue aos vendavais do inverno. / Ia seguindo triste p'ra o velho lar paterno. / Como a águia, que do ninho talhado no rochedo / Ergue o pescoço calvo por cima do fraguedo, / — (P'ra ver no céu a nuvem, que espuma o firmamento,
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