As Duas Ilhas
Castro Alves (?–1871)
O começo
Quando à noite — às horas mortas — / O silencio e a solidão / — Sob o docel do infinito — / Dormem do mar n′amplidão, / Vê-se por cima dos mares, / Rasgando o tecto dos ares / Dous gigantescos perfis… / Olhando por sobre as vagas, / Attentos, longínquas plagas / Ao clarear dos fuzis.
Quem os vê, olha espantado / E a sós murmura; « O que é?
Ai! que atalaias gigantes, / dão essas além de pé?!… / Adamastor de granito / Co′a testa roça o infinito / E a barba molha no mar; / E de pedra a cabeleira / Sacudind′a onda ligeira / Faz de medo recuar…
São — dous marcos milliarios, / Que Deus nas ondas plantou, / Dous rochedos, onde o mundo / Dous Prometheus amarrou!… / — Acolá… (Não tenhas medo!…) / É Santa Helena o — rochedo / Desse Titan que foi rei!… / — Ali… (Não feches os olhos!…) / Alli… aqueles abrolhos / São a ilha de Jersey!…
São eles — os dous gigantes / No século de pigmeus. / São eles — que a majestade / Arrancam da mão de Deus. / — Este concentra na fronte / Mais astros — que o horizonte, / Mais luz — do que o sol lançou!.. / — Aquele — na destra alçada
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