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Capa de Dalila (Castro Alves)

Dalila (Castro Alves)

Castro Alves (?–1871)

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

Foi Desgraça meu Deus!… Não!… Foi loucura / Pedir seiba de vida-à sepultura, / Em gelo — me abrasar,

Pedir amores — a Marco sem brio, / E a rebolcar-me em leito imundo e frio / — A ventura buscar. / Errado viajor — sentei-me à alfombra / E adormeci da mancenilha à sombra / Em berço de cetim…

Embalava-me a brisa no meu leito… / Tinha o veneno a lacerar-me o peito / — A morte dentro em mim… / Foi loucura!… No ocaso — tomba o astro; / A estátua branca e pura de alabastro / — Se mancha em lodo vil…

Quem rouba a estrela-à tumba do ocidente? / Que Jordão lava na lustral corrente / O marmóreo perfil?… / Talvez!… Foi sonho!… Em noite nevoenta / Ela passou sozinha, macilenta, / Tremendo a soluçar…

Chorava — nenhum eco respondia… / Sorria-a tempestade além bramia… / E ela sempre a marchar. / E eu disse-lhe: Tens frio? — arde minha alma. / Tens os pés a sangrar?-podes em calma / Dormir no peito meu.

Pomba errante-é meu peito um ninho vago! / Estrela— tens minha alma-imenso lago— / Reflete o rosto teu! …

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