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Desespero

Castro Alves (?–1871)

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

"Crime! Pois será crime se a jibóia / Morde silvando a planta, que a esmagara? / Pois será crime se o jaguar nos dentes / Quebra do índio a pérfida taquara?

"E nós que somos, pois? Homens? — Loucura! / Família, leis e Deus lhes coube em sorte. / A família no lar, a lei no mundo… / E os anjos do Senhor depois da morte.

"Três leitos, que sucedem-se macios, / Onde rolam na santa ociosidade… / O pai o embala… a lei o acaricia… / O padre lhe abre a porta à eternidade.

"Sim! Nós somos reptis… Qu'importa a espécie? / — A lesma é vil, — o cascavel é bravo. / E vens falar de crimes ao cativo? / Então não sabes o que é ser escravo!…

"Ser escravo — é nascer no alcoice escuro / Dos seios infamados da vendida… / — Filho da perdição no berço impuro / Sem leite para a boca ressequida… / "É mais tarde, nas sombras do futuro, / Não descobrir estrela foragida… / É ver — viajante morto de cansaço — / A terra — sem amor!… sem Deus — o espaço!

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