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Se Tu Queres, Meu Amigo

Luís da Gama

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

Amigo….….….….….…. / Pedes um canto na lira, / A quem apenas lhe tira / Sons de viola chuleira? / Insistes dessa maneira? / Não sabes que, por desgraça, / Por mais esforços que faça / Por ser vate é sempre em vão? / Não vês que mente o rifão: / Quem porfia mata caça?

(F. X. de Novaes.)

Se tu queres, meu amigo, / No teu alb”um pensamento / Ornado de frases finas, / Dictadas pelo talento;

<põem> / Não contes comigo, Que sou pobretão: Em cousas mimosas Sou mesmo um ratão.

Não falo das flores, Dos prados não falo, Nem trato dos sinos Porque têm badalo;

Da rola que geme, A’ borda do ninho, Do tênue regato Que corre mansinho;

Nem das travessuras Do terno Cupido, Que faz do beato Janota garrido.

Mas se queres que alinhave Palavras desconchavadas, Desculpa, com paciência, Sandices que vão rithmadas.

Desprenda-se a veia, Comece a festança, Mordendo, cortando — Com toda chibança.

Ateie-se a Musa, Na magra cachola, Com frases flammantes De chôcho pachola

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