
O Navio Negreiro
Castro Alves (?–1871)
O começo
'Stamos em pleno mar… Doudo no espaço / Brinca o luar — dourada borboleta; / E as vagas após ele correm… cansam / Como turba de infantes inquieta.
'Stamos em pleno mar… Do firmamento / Os astros saltam como espumas de ouro… / O mar em troca acende as ardentias, / — Constelações do líquido tesouro…
'Stamos em pleno mar… Dois infinitos / Ali se estreitam num abraço insano, / Azuis, dourados, plácidos, sublimes… / Qual dos dous é o céu? qual o oceano?…
'Stamos em pleno mar... Abrindo as velas / Ao quente arfar das virações marinhas, / Veleiro brigue corre à flor dos mares, / Como roçam na vaga as andorinhas…
Donde vem? onde vai? Das naus errantes / Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço? / Neste saara os corcéis o pó levantam, / Galopam, voam, mas não deixam traço.
Bem feliz quem ali pode nest'hora / Sentir deste painel a majestade! / Embaixo — o mar em cima — o firmamento… / E no mar e no céu — a imensidade!
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