No Lar
Casimiro de Abreu (?–1860)
O começo
Terra da minha pátria, abre-me o seio / Na morte — ao menos….….
Garrett
Longe da pátria, sob um céu diverso / Onde o sol como aqui tanto não arde, / Chorei saudades do meu lar querido / — Ave sem ninho que suspira à tarde. —
No mar — de noite — solitário e triste / Fitando os lumes que no céu tremiam, / Ávido e louco nos meus sonhos dalma / Folguei nos campos que meus olhos viam.
Era pátria e família e vida e tudo, / Glória, amores, mocidade e crença, / E, todo em choros, vim beijar as praias / Porque chorara nessa longa ausência.
Eis-me na pátria, no país das flores, / — O filho pródigo a seus lares volve, / E concertando as suas vestes rotas, / O seu passado com prazer revolve! —
Eis meu lar, minha casa, meus amores, / A terra onde nasci, meu teto amigo, / A gruta, a sombra, a solidão, o rio / Onde o amor me nasceu — cresceu comigo.
Os mesmos campos que eu deixei criança, / Árvores novas… tanta flor no prado!… / Oh! como és linda, minha terra dalma, / — Noiva enfeitada para o seu noivado! —
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