Na Várzea
Álvares de Azevedo (?–1852)
O começo
Como é bela a manhã! Como entre a névoa / A cidade sombria ao sol clareia / E o manto dos pinheiros se aveluda… / E o orvalho goteja dos coqueiros… / E dos vales o aroma acorda o pássaro… / E o fogoso corcel no campo aberto / Sorve dalva o frescor, sacode as clinas, / Respira na amplidão, no orvalho rola, / Cobra em leito de folhas novo alento / E galopa nitrindo!
Agora que a manhã é fresca e branca
E o campo solitário e o val se arreia… / Ó meu amigo, passeemos juntos / Na várzea que do rio as águas negras / Umedecem fecundas…
O campo é só: na chácara florida / Dorme o homem do vale e no convento / Cintila a medo a lâmpada da virgem, / Que pálidas vestais no altar acendem! / Tudo acorda, meu Deus, nestas campinas! / Os cantos do Senhor erguem-se em nuvens, / Como o perfume que evapora o leito / Do lírio virginal!
Acorda, ó meu amigo: quando brilha / Em toda a natureza tanto encanto, / Tanta magia pelo céu flutua / E chovem sobre os vales harmonias, / É descrer do Senhor dormir no tédio, / É renegar das santas maravilhas / O ardente coração não expandir-se / E a alma não jubilar dentro do peito!
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