Itália (Álvares de Azevedo)
Álvares de Azevedo (?–1852)
O começo
Veder Napoli e poi morir.
Lá na terra da vida e dos amores / Eu podia viver inda um momento… / Adormecer ao sol da primavera / Sobre o colo das virgens de Sorrento!
Eu podia viver — e porventura / Nos luares do amor amar a vida,
Dilatar-se minh'alma como o seio / Do pálido Romeu na despedida!
Eu podia na sombra dos amores / Tremer num beijo o coração sedento… / Nos seios da donzela delirante / Eu podia viver inda um momento!
Ó anjo de meu Deus! se nos meus sonhos / Não mentia o reflexo da ventura, / E se Deus me fadou nesta existência / Um instante de enlevo e de ternura…
Lá entre os laranjais, entre os loureiros, / Lá onde a noite seu aroma espalha, / Nas longas praias onde o mar suspira / Minh'alma exalarei no céu da Itália!
Ver a Itália e morrer!… Entre meus sonhos / Eu vejo-a de volúpia adormecida… / Nas tardes vaporentas se perfuma / E dorme, à noite, na ilusão da vida!
E, se eu devo expirar nos meus amores, / Nuns olhos de mulher amor bebendo,
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